Phil sentou ao lado de Demi. Bom, Phil era um cara baixo, barrigudo e tinha uma cara de fuinha, isso se a fuinha fosse ridícula.
-Sua mãe sabe disso, Another Cinderella?
Cinderella. Aquela dos contos de fadas, que era louca para traçar um príncipe e achou um panaca que ao dançar com ela se apaixonou. Ela tinha uma vida horrível e virou uma princesa. Com Demi foi diferente. Ela frequentava a elite de New York, era uma das mais populares garotas da escola e tinha dinheiro suficiente para comprar todos os estilistas famosos só para ela. Frequentava, era, tinha. Demi perdeu tudo. Era uma princesa e acabou tendo uma vida horrível.
-Ela não precisa saber, Fera.
Fera. Aquela fera dos contos de fada, que conseguiu uma mulher bonita e virou um príncipe. Mas com Phil
foi diferente. Ele conseguiu uma mulher bonita e continuou uma Fera, seria assim para sempre.
Demi abriu a cerveja e levou a garrafa até a boca.
-Fera?- ele riu - Aquela Fera que conseguiu a Bela?
-É, mas você nunca vai virar um príncipe, Phil, desencana. Você precisa superar isso.
-Não sou tão ruim assim.
-Não sei como mamãe te aguenta.
-A Fera aqui tem dinheiro.
-Uma oficina qualquer no fim do mundo. Grande merda. Parabéns, Phil, você é muito rico!
-Sou eu que pago suas contas.
Ela deu outro gole na cerveja.
-Se não fosse minha mãe você ainda seria apenas um velho feio e sozinho. Você sabe que nunca encontraria outra mulher tão desesperada quanto ela, você está disposto a tudo para ter uma alma feminina do seu lado, porque, sinceramente, você é uma bosta, Phil. Não é cavalheiro, nem bonito, nem charmoso e seu hálito fede a gambá morto. Quem seria a louca que iria lhe querer?
-Sua mãe.- ele riu e colocou um pouco da cerveja de Demi num copo para ele -Querendo ou não, sou seu padrasto, não importa se sou feio e desagradável...
-Que bom que sabe que é.
-...Eu continuarei sendo seu padrasto, continuarei me deitando com sua mãe gostosa todos os dias.- ele ignorou Demi.
Ela sentia nojo daquela criatura à sua frente. Sentia vontade de vomitar quando relacionava sua mãe a ele. Demi pegou a cerveja e levou para o quarto, para tomar em paz. Entenda: Demi não era nenhuma alcoólatra nem nada, mas vinha bebendo com muita frequencia escondida de sua mãe. Do jeito que a vida ia, beber era a única coisa que podia fazer sem se martirizar. Ela não havia sido aceita por nenhuma faculdade, em breve faria 18 anos, deixaria a escola e... e não iria para a faculdade. Ela não tinha dinheiro para pagar nenhuma universidade. Tinha um padrasto horroroso. Tinha perdido tudo a pouco tempo. Também não tinha amigos para desabafar e, apesar de tudo, tentava levar a vida normalmente, sem mostrar fraqueza nem uma lágrima. A única saída que encontrava era afogar suas lágrimas em bebidas.
Mas só uma coisa dava prazer à Demi: cantar. Ele sempre fora ótima em Artes, atuava, cantava e compunha


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